TDAH e a Prática das Virtudes: Um Caminho Possível
Transformando desafios neurobiológicos em oportunidades de santificação

Como transformar a impulsividade em prontidão e a hiperatividade em serviço? Uma análise tomista sobre os desafios neuroatípicos.
Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que seu diagnóstico de TDAH é uma sentença de incapacidade moral. "Eu não consigo ter constância", dizem. "Eu sou escravo dos meus impulsos". A Psicoterapia Tomista oferece uma visão diferente: a graça supõe a natureza, e a natureza pode ser educada.
A Vontade e o Controle Inibitório
O que a neurociência chama de "déficit de controle inibitório", a filosofia clássica pode enquadrar como uma fragilidade na virtude da Temperança e na força da Vontade. Não se trata de culpa, mas de identificar onde a estrutura precisa de reforço.
O TDAH não elimina a liberdade, mas cria obstáculos adicionais para o seu exercício. O trabalho terapêutico consiste em:
- Fortalecer a Vontade através de "micro-compromissos" cumpridos;
- Usar a Razão para antecipar as consequências que a impulsividade ignora;
- Criar um ambiente externo (ordem) que apoie a fragilidade interna.
O Dom Escondido na Hiperatividade
Pessoas com TDAH frequentemente possuem uma energia vital extraordinária e uma capacidade de hiperfoco quando motivadas pelo amor ou interesse genuíno. Quando essa energia é ordenada pela Razão e orientada para o Bem, ela se torna uma força poderosa de serviço e caridade.
O caminho não é anular a personalidade, mas ordená-la. Como um rio caudaloso: sem margens, ele inunda e destrói; com margens firmes, ele gera energia e vida.