Estudo de Caso

TDAH e a Prática das Virtudes: Um Caminho Possível

Transformando desafios neurobiológicos em oportunidades de santificação

Ilda Graciela Eberhardt
20 Nov 2025
8 min de leitura
TDAH e a Prática das Virtudes: Um Caminho Possível

Como transformar a impulsividade em prontidão e a hiperatividade em serviço? Uma análise tomista sobre os desafios neuroatípicos.

Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que seu diagnóstico de TDAH é uma sentença de incapacidade moral. "Eu não consigo ter constância", dizem. "Eu sou escravo dos meus impulsos". A Psicoterapia Tomista oferece uma visão diferente: a graça supõe a natureza, e a natureza pode ser educada.

A Vontade e o Controle Inibitório

O que a neurociência chama de "déficit de controle inibitório", a filosofia clássica pode enquadrar como uma fragilidade na virtude da Temperança e na força da Vontade. Não se trata de culpa, mas de identificar onde a estrutura precisa de reforço.

O TDAH não elimina a liberdade, mas cria obstáculos adicionais para o seu exercício. O trabalho terapêutico consiste em:

  • Fortalecer a Vontade através de "micro-compromissos" cumpridos;
  • Usar a Razão para antecipar as consequências que a impulsividade ignora;
  • Criar um ambiente externo (ordem) que apoie a fragilidade interna.

O Dom Escondido na Hiperatividade

Pessoas com TDAH frequentemente possuem uma energia vital extraordinária e uma capacidade de hiperfoco quando motivadas pelo amor ou interesse genuíno. Quando essa energia é ordenada pela Razão e orientada para o Bem, ela se torna uma força poderosa de serviço e caridade.

O caminho não é anular a personalidade, mas ordená-la. Como um rio caudaloso: sem margens, ele inunda e destrói; com margens firmes, ele gera energia e vida.

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